Limpeza e Desinfecção de Caixa D’água
Nosso planeta é muito rico em água. Cerca de ¾ de sua superfície são cobertos por água, geralmente na forma líquida, formando os rios e mares. Toda a água da Terra passa por um ciclo contínuo de transformação, conhecido como ciclo hidrológico.
Este ciclo consiste no seguinte processo: a água evaporada dos mares, lagos, pântanos, rios, vegetais, animais e outras superfícies hídricas produz as nuvens que, sob determinadas condições de temperatura e pressão, se condensam e cai sob a forma de chuva, neve ou granizo.

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As águas das chuvas escorrem, em parte na superfície da Terra formando as águas de superfície (rios e lagos) e, através destes, atingem os mares. A outra parte se infiltra na nascente, fontes, poços e etc. Há pois, uma transformação da água para vapores pelo efeito da incidência solar e seu retorno à atmosfera, reiniciando assim o ciclo.
As águas da chuva quando precipitam vêm realizando uma lavagem na atmosfera, dissolvendo gases e arrastando partículas. Quando ela chega ao solo também promove uma ação de lavagem dissolvendo várias substâncias e carreando partículas sólidas. Há também a presença de microorganismo na água, como algas, protozoários, fungos, vírus e bactérias de grande significação sanitária.
Qualidade da água
O conceito de qualidade de água está relacionado com teores de impurezas presentes que determinam a sua adequabilidade para uso humano, industrial, recreativo, agrícola, etc.
O maior risco que a água pode oferecer à saúde é ser poluída diretamente por excretos, principalmente humanos ou por esgotos. Aceita-se hoje que a água de abastecimento, destinada ao uso doméstico, deverá ser límpida, agradável ao paladar, de temperatura razoável, não corrosiva, isenta de minerais de efeitos fisiológicos indesejáveis e de microorganismos que produzam infecções intestinais.
A qualidade da água é definida através de suas características físicas, fisico-químicas, químicas, bacteriológicas e biológicas.
Se os requisitos estabelecidos para determinação de qualidade da água para consumo humano forem satisfatórios, ela é considerada potável. Chama-se padrão de água os limites aceitáveis estabelecidos para impurezas, de acordo com a utilização da água.
Para efeito de água a ser usada para consumo humano, indicamos o “Padrão de Potabilidade do Ministério da Saúde”, que fixa os limites permissíveis para as impurezas nas águas destinadas ao abastecimento público.
Noções de tratamento de água
Quando pensamos em utilizar determinada água, precisamos, prioritariamente, analisá-la para verificar se ela preenche os requisitos necessários para o fim a que se destina. caso não satisfaça a qualidade exigida e se não dispusermos de outra fonte de suprimento, teremos que submetê-la a uma série de operações a fim de torná-la utilizável para a finalidade desejada.
Essas operações constituem o que se chama tratamento, purificação da água.
Existem diversos processos de tratamento de água, cada um destinado a uma ou mais finalidades. O tratamento que consiste de floculação, decantação, filtração e desinfecção é chamado de complexo ou convencional. pequenos sistemas de abastecimento que se utilizam de mananciais de serra empregam a filtração e a desinfecção como tratamento, ao passo que sistemas de abastecimento que se utilizam de poços empregam a desinfecção.
Doenças de veiculação hídrica
Doenças como a febre tifóide, a cólera, a amebíase e a esquistossomose estão intimamente ligadas a origem hídrica, cuja composição natural é o arsênio, o fluoreto e o chumbo natural.
Diversos são os usos relacionados à saúde humana, sendo de contato direto a água ingerida diariamente, a água utilizada no asseio corporal, nos banhos em rios, lagos e piscinas, nos trabalhos agrícolas e etc.
Contaminação da água
Nos reservatórios domiciliares das grandes cidades, a possibilidade de contaminação foi extremamente reduzida com a alteração do processo de tratamento de água. um tratamento eficiente no sistema de abastecimento produz uma água limpa e isenta de microorganismos. Com isto, a contaminação tornou-se mais esporádica, e quando ocorrem, é sempre após a distribuição.
Os vermes são resistentes ao cloro, a forma tradicional de tratamento que mostrou-se ineficaz à eliminação deles. Por isso, se faz necessária a utilização da pré-cloração.
É muito comum haver contaminação de cisternas e caixas d’água durante a ocorrência de enchentes ou ruptura de adutoras, em ambos os casos, a desinfecção do reservatório domiciliar deve ser imediata.
Os reservatórios domiciliares devem estar sempre bem vedados a fim de evitar a entrada de poeira, insetos ou qualquer outro tipo de organismo que propicie a contaminação da água.
Os reservatórios devem ser limpos, pelo menos, de 6 em 6 meses, para que as partículas em suspensão que vão se depositando, não propiciem um meio de cultura adequado à proliferação de organismos como quiromídeos, rotíferos e nematódios. Esses micropartículas vão se acumulando lentamente, formando uma camada de lodo que, para ser mineralizada, consome o cloro que entra diariamente no depósito, através da distribuição.
Controle Bacteriológico
Os indicadores bacteriológicos de poluição fecal medem a quantidade de poluição bacteriana causada por animais de sangue quente. Essas bactérias são do grupo Escherichia coli, Streptococus, lactobacilos, Proteus e Pseudomonas, além de Salmonella , Shigella, Leptospira, Brucella, vírus e protozoários.
O grupo coliforme, no qual se inclui a espécie Escheriachia coli, presente nas fezes humanas, inclui todos os bacilos gram-negativos, não esporulados, aeróbios facultativos e que fermentam a lactose com produção de gás dentro de 48 horas a 35º C.
Avaliação dos coliformes como indicador de poluição fecal.
A ausência de coliformes é constatação de uma água bacteriologicamente potável.
A densidade do coliforme é aproximadamente proporcional a quantidade de poluição fecal presente. A estimativa é de 300 milhões de coliformes por grama de fezes (300 milhões/g/fezes). Quando as bactérias de origem intestinal estão presentes, o número de coliformes é muito maior.
Legislação
Proposta de revisão da Portaria nº 36/MS, DE 19.1.1990
Dispõe sobre procedimentos e responsabilidades inerentes ao controle e à vigilância da qualidade da água para consumo humano, estabelece as normas e o padrão de potabilidade da água para consumo humano, e dá outras providências.
O Ministro de Estado da Saúde, no uso das atribuições que lhe confere o artigo 2º do Decreto nº 79.367, de 9 de março de 1977, resolve:

Art. 1.º Aprovar as Normas e, na forma do Anexo a esta Portaria, o Padrão de Potabilidade da Água destinada ao Consumo Humano, a serem observados em todo o território nacional.
Art. 2.º Os procedimentos e responsabilidades inerentes ao controle e à vigilância da qualidade da água para consumo humano são estabelecidos nos termos desta Portaria.
Art. 3.º Toda a água destinada ao consumo humano deve obedecer ao padrão de potabilidade e está sujeita à vigilância da qualidade da água.
Art. 6.º Cabe ao Ministério da Saúde e às autoridades de saúde pública dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, representadas pelas respectivas Secretarias de Saúde ou órgãos equivalentes, fazer observar o fiel cumprimento desta Portaria, nos termos do Sistema Único de Saúde - SUS.
Art. 7.º O responsável por solução alternativa ou por sistema de abastecimento de água para consumo humano deverá exercer o controle de qualidade da água.
Parágrafo único. Incumbe à autoridade de saúde pública definir responsabilidade pelo controle da qualidade da água de solução alternativa na ausência da definição desse responsável.
Art. 8.º Cabe às autoridades de saúde pública dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios exercer a vigilância da qualidade da água para consumo humano, de forma harmônica entre si e com os responsáveis pelo controle de qualidade da água, respeitadas as competências definidas no SUS.
Art. 22º O sistema de abastecimento de água para consumo humano deve designar responsável técnico, profissionalmente habilitado.
Art. 23º Toda água fornecida coletivamente para consumo humano deve ser submetida a processo de desinfecção, concebido e operado de forma a garantir o atendimento ao padrão microbiológico desta Portaria.


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